N/A: Capítulo especial, narrado pelo Arthur.
2 meses, já fazia 2 meses que Lua havia sofrido o acidente, que havia perdido o bebê, que estava internada. Em todos aqueles dias, todas as horas, minutos, segundos e milésimos eu me culpei. Devia ter lhe levado a sério, tentado arranjar um jeito mais fácil para o problema. Fui o canalha de sempre, talvez isso seja um castigo da vida. "Não se pode querer ficar com duas mulheres, seu estúpido! Provavelmente perdeu o amor da mulher da sua vida por uma incerteza idiota." Acho que se o destino fala-se, diria algo parecido com isto. "E o bebê de vocês? Foi culpa sua, você sabe que foi." Mas no lugar do destino, havia uma vozinha irritante na minha cabeça, a qualquer momento queria bater meu crânio contra a parede para que ela fosse embora, era isso que eu queria fazer, me ferir, por ser tão idiota e imbecil, tudo por "desejos carnais", Lua sempre fora uma mulher doce, gentil, gostosa e desde que a conheci de novo depois do meu acidente passado sentia certo desejo por ela, que só aumentou com o tempo, fui infiel, menti, para as duas. E o bebê? Era inocente, porém por minha culpa não pode nascer. "Por sua culpa ela não vai poder ter o filho ou filha de vocês, se sente feliz agora? Deveria, você fez isso tudo sabendo que poderia ter consequências graves, não é? Pense na criança, ela não vai poder ver os dedinhos pequenos se firmando ao dedo dela procurando algo para segurar, não vai sentir o cheiro muito menos o amor de mãe ao carregar a criança no colo. Quando acordar SE acordar, ela vai ser infeliz para o resto da vida. Está feliz agora, Arthur? Está feliz? Deve estar, deve estar muito orgulhoso. Dou meus parabéns, destruidor." Tentei ignorar aquela voz, que antes pensei ser o destino e depois o meu primeiro sintoma de ficar maluco, agora acho que é minha consciência. Por mais que eu odeie essa voz, concordo com tudo que ela diz, mas não me sinto orgulhoso ou feliz, queria poder voltar no tempo, com o carro do filme, ah sim, ao invés de pegar uma revista com respostas esportivas, avisaria o quão idiota estava sendo e o que aconteceria, teria certeza de que faria diferente. Reparei ao meu redor, mas não havia nada de mais, o mesmo de sempre, cadeiras vazias na sala de espera e minha agonia e culpa dominando o local. Não aguentava mais o clima de hospital, as paredes brancas, enfermeiras indo e voltando. Imaginei como Lua havia aguentado isso quando era eu que estava internado, eu a amava, mas entenderia perfeitamente se ela me odiasse depois de tudo. Também conversei com Pérola sobre tudo.
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